domingo, 7 de março de 2010

Encontro Nacional de Enfrentamento da Desertificação

Devastação da caatinga será combatida com ações repressivas e alternativas econômicas

Diário da Região / Lidiane Cavalcante / Manoel Leão




Cerca de R$500 milhões oriundos do Pré- Sal para o Fundo Clima, serão destinados ao Nordeste, pelo Ministério do Meio Ambiente, Carlos Minc

Cerca de R$500 milhões oriundos do Pré- Sal para o Fundo Clima, serão destinados ao Nordeste, pelo Ministério do Meio Ambiente, Carlos Minc

Em entrevista à imprensa regional na última quarta-feira (03) o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, destacou a importância do I ENED – I Encontro Nacional de Enfrentamento da Desertificação que está sendo realizado em Juazeiro e Petrolina reafirmou a disposição do IBAMA de continuar a combater o crime ambiental. Para ele as ações devem ser “casadas” com o compromisso de todos os agentes públicos.
Reconhecendo a “fragilidade” econômica da população que vive na caatinga e as dificuldades para uma agenda comum que ofereça alternativas de sobrevivência, o Ministro diz que deste encontro sairão compromissos diferentes, capazes de diminuir o ritmo de devastação.
O ministro destacou, também, que há projetos em estudo para a preservação do bioma. O Banco do Nordeste analisa a criação do Fundo Caatinga e o Banco do Brasil tem a intenção de implementar um Fundo contra a Desertificação. Cerca de R$500 milhões oriundos do Pré- Sal para o Fundo Clima, serão destinados ao Nordeste, pelo Ministério do Meio Ambiente.
IBAMA
Apesar do elenco amplo de propostas, entre elas a criação de fundos de preservação da caatinga bancados pelo Banco do Brasil e Banco do Nordeste do Brasil, as ações do IBAMA é que continuam sendo efetivas.
Na última quarta-feira o órgão destruiu 50 fornos e apreendeu uma tonelada e meia de carvão no Serrote Pelado no município de Petrolina, a 25 quilômetros da sede.
Segundo informações da IBAMA, o Ministério Público irá iniciar ações penais - para punir os que cometeram irregularidades - e ações civis - para que o dano ambiental seja compensado.
Durante a mesma ação foram localizados também três desmatamentos na região, totalizando cerca de 60 hectares. As fiscalizações aéreas continuarão nos próximos dias em busca de mais áreas desmatadas e de outras irregularidades ambientais.
Devastação da Caatinga
O único bioma considerado exclusivamente brasileiro mantém apenas metade de sua cobertura vegetal. A principal causa da destruição da Caatinga é a extração da mata nativa, convertida em lenha e carvão vegetal destinados, principalmente, aos pólos gesseiro e cerâmico do Nordeste e ao setor siderúrgico de Minas Gerais e do Espírito Santo.
Dados divulgados pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, indicam que os números do monitoramento do desmatamento da Caatinga, realizado entre 2002 e 2008, apontam que metade de sua cobertura vegetal está devastada. Minc destacou que essa é a região mais vulnerável às mudanças climáticas, no País, com forte tendência à desertificação.
A caatinga mantém apenas metade de sua cobertura vegetal original; em 2008, a vegetação remanescente da área era de 53,62%. De 2002 a 2008, foram devastados 16.576 km2, o equivalente a 2% de toda a Caatinga, sendo que a taxa de desmatamento, anual média, nesse período, ficou em torno de 0,33%, ou seja, 2 763 km².

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