Manoel Leão / /DOL - Natália Aguiar / Ascom PMS
Sem a presença dos dirigentes responsáveis pelas políticas públicas de pesca, foi realizado nesta quinta feira o I Seminário de debate da piscicultura do território da cidadania sertão do São Francisco.
Não esteve presente Marcelino Galo, Superintendente de Pesca da SEAP, programado para abrir as exposições e que falaria sobre a piscicultura na Bahia e não esteve presente Rose Pondé, Superintendente da CONAB, que discutiria as formas de acesso ao Programa de Aquisição de Alimentos.
Joseane Araújo, gerente regional da Bahia Pesca, responsável pelo Terminal Pesqueiro de Sobradinho resumiu a situação: “Pescadores e participantes esperavam a presença dos dirigentes que pudessem responder as questões colocadas e abrir compromisso de encaminhamento. Apesar disso o seminário foi produtivo e informativo”.
Para ela “a expectativa do pescador nunca corresponde à realidade, pois ainda não há uma integração entre todos os atores envolvidos. Enquanto a pesca artesanal só agora conseguiu conquistar status de atividade produtiva, vemos tecnologia e investimentos para a piscicultura e isso cria uma área de atrito, que temos o dever de conciliar” – diz Joseane Araújo.
Andréa Geisa Trabuco, do M inistério do Desenvolvimento Social - Consultora do PAA
Bahia do Programa de Aquisição de Alimentos do Ministério do Desenvolvimento Social – MDS, diz que “a melhoria das condições para o pescador artesanal depende de uma integração entre todos os envolvidos, da participação das comunidades, das prefeituras, do governo estadual e do governo federal”.
Entende Geisa Trabuco que “não há um processo de exclusão ou substituição do pescador tradicional em proveito do criador de peixes. É uma visão equivocada. O que existe é a falta de coordenação e integração das próprias comunidades interessadas com os governos, a falta de projetos e de entendimento e ordenamento”.
Quem cobra políticas diferentes, pois “se prioriza piscicultura, a criação da tilápia, transformando a piscicultura em tilapicultura, excluindo o pescador tradicional” é Margarida Ladislau Barbosa, do Conselho Pastoral dos Pescadores da Diocese de Juazeiro. Ela coloca o dedo nos pontos frágeis da argumentação governamental: “Qual é a proposta para conter a degradação do rio causada pela ração que alimenta os peixes em cativeiro? Como conduzir um processo de revitalização se os principais atores, responsáveis pela preservação são excluídos? Porque priorizar produção industrial par exportação e excluir a comunidade e o consumo local?”
Margarida diz que existem 13,655 pescadores cadastrados no Território do Sertão do São Francisco, “impacientes com a morosidade do governo”; que 65% do peixe que chega à mesa do consumidor no Nordeste vem da pesca artesanal” e o governo prioriza a implantação de fazendas de criação de peixes “esquecendo quem coloca comida na mesa da população”.
Margarida Ladislau Barbosa, do Conselho Pastoral dos Pesca- dores da Diocese de Juazeiro
O argumento que a produção em cativeiro dos peixes faria o preço cair, não vale para Margarida: “O pescado obtido em viveiros é caro. Prende o homem ao local da fazenda de peixe, cria vínculos empregatícios e custos e não lhe oferece uma remuneração decente. Quem lucra é quem vende a ração, quem vende as redes, quem vende os tanques. O pescador perde a independência e a liberdade e a capacidade de alimentar sua própria família com uma atividade produtiva”.“Além disso”, continua Margarida Ladislau, “o processo de produção de pescado degrada o rio, soma-se à poluição provocada pelas cidades, pelas áreas irrigadas. O preço aí, em qualidade de vida, é muito mais alto”.
Para ela “Não está dito por nenhum órgão do governo como conciliar estas atividades, com respeito ao rio e ao pescador tradicional. São estas respostas que queremos”.
Ainda que culpe as divergências entre pescadores e criadores de peixe “ao ciúme”, pois a piscicultura “tem incentivos, tecnologia e apoio “, Joseane Araújo, da Bahia Pesca é otimista: “Nosso papel é conciliar os dois segmentos. A empresa oferece assistência técnica, indistintamente e busca integração com todos os órgãos interessados nesse processo, que depende muito mais do interesse e do envolvimento dos pescadores, das associações e dos gestores públicos”.
O seminário foi uma realização do Comitê de Articulação da Pesca no Território da Cidadania Sertão do São Francisco, SEAP, MDS, CONAB, Bahia Pesca, SEBRAE e Prefeitura Municipal de Sobradinho, que foi representada pelo Secretário de Agricultura.
FONTE: http://www.diariodaregiaoonline.com.br/
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