Professor Martins - Juazeiro-BAEssa semana, um amigo meu, enfermeiro, que se desdobra em três empregos, entre as clínicas e hospitais de Juazeiro e Petrolina, pra tentar dar uma condição melhor pra sua família, passou por uma situação comum às pessoas que necessitam de procedimentos hospitalares de urgência pra um familiar. O que ele presenciava diariamente no seu trabalho, agora acontecia com ele. A realidade nua e crua estava diante de um homem sem muitos recursos financeiros, em pleno início de ano, após gastos iniciais com a escola dos filhos, etc., etc., etc.
O fato é que sua esposa foi fazer um parto, com pagamento particular, a vista, num hospital desses, tipo cooperativa médica, e aconteceu que, ao dar a luz à criança houve uma complicação e o filho do casal correu risco de morte e o pai foi informado que precisava pagar uma "caução" no valor de dois mil reais, ou seja, era necessário deixar essa quantia com o hospital como garantia de pagamento dos procedimentos, para que fossem iniciado o atendimento do recém-nascido.
O pai prontamente autorizou que cuidassem da saúde do filho e saiu do hospital para providenciar um cheque de um amigo. Ao retornar, foi informado que não seria aceito cheque e aquele pai teve que mais uma vez sair para "se virar nos trinta".
Com isso o tempo passou e, quando o diretor do hospital soube que já haviam se passado quatro horas de internamento da criança, já tendo se esgotado o valor da tal calção, ou seja 3 mil reais, e o pior que havia se iniciado o atendimento à criança sem a efetivação do pagamento da famigerada caução, prontamente determinou a vinda da profissional que liberou o processo para receber sua demissão.
O pai foi informado de que precisava providenciar mais dinheiro e então solicitou a transferência do filho para uma uti neo-natal de um hospital do vizinho município onde presta serviços. Nesse momento os médicos lhe informaram que não dispunham de uma ambulância com equipamentos indispensáveis à manutenção da vida do bebê.
Nesse momento o aflito pai, natural de um outro estado, sozinho na nossa calorosa e tão receptiva cidade, só teve uma coisa a fazer. Se apresentou como profissional da área de saúde, acostumado a ver pessoas e mais pessoas passando por aquela situação que ora ele passava e fez uma série de intimatos. Comunicou que não tinha mais como conseguir dinheiro algum. Que, por esse motivo, exigia que parasse o aumento da tal taxa de caução. Que a funcionária não fosse demitida e que o hospital imediatamente, por ele não ter dinheiro, preparasse um documento se responsabilizando pelo transporte do filho dele até o outro hospital.
Isso resultou na permanência do recém-nascido no hospital e a paralisação da tal caução.
Esse é apenas mais um retrato dos percalços a que um trabalhador brasileiro tem que se submeter na luta pela sobrevivência. E olha que a narrativa superior fala de um homem com três empregos.
E ainda querem ressuscitar uma tal CPMF, que entra pelo ralo da inoperância e malandragem, não sobrando nada nada pra saúde do pobre brasileiro.
Professor Martins é Jornalista e Engenheiro.