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Os barranqueiros do rio São Francisco têm voz altiva e têm esse espaço para expressar seus sentimentos, lamentos, projetos e reivindicações. Aqui aceita-se notícias, fotos, críticas, poesias, músicas, vídeos e tudo mais que possa fazer a voz do beiradeiro ecoar pelos rincões do planeta.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Túnel de transposição do rio São Francisco desaba no Ceará

Parte de um túnel das obras de transposição do Rio São Francisco localizado entre os Estados do Ceará e da Paraíba desabou. O túnel Cuncas I, que chegará a 15 quilômetros de extensão, teve 50 metros de sua estrutura destruída no trecho que fica no município de Mauriti, no interior cearense, a 516 quilômetros de Fortaleza.
O incidente ocorreu no último dia 21, mas o fato só veio à tona na última quarta-feira (27), divulgado pelo Ministério da Integração Nacional, responsável pela obra orçada em R$ 4,5 bilhões, que prevê a construção de dois canais que totalizam 700 quilômetros de extensão, e promete distribuir água para todo semiárido nordestino. Parte do teto ruiu quando operários trabalhavam na perfuração do túnel.
A Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Integração Nacional informou, por nota, que “não houve qualquer dano físico entre os trabalhadores", e listou os motivos que teriam levado ao desmoronamento da estrutura.
Conforme a nota técnica, o deslizamento de solo na entrada do túnel aconteceu “devido à consistência não uniforme do solo encontrado naquele ponto". Segundo a explicação divulgada pelo ministério, nesse tipo de escavação em solo "podem ocorrer imprevistos geológicos que induzem a ruptura de teto, acarretando, assim, o desprendimento da terra".
O incidente significa mais um obstáculo no andamento das obras de transposição do rio São Francisco, que já sofreu atrasos com seguidas paralisações.No lado da Paraíba, o trabalho de escavação está próximo de 700 metros. Já no emboque, no Ceará, a perfuração estava ultrapassando os 80 metros quando aconteceu o desmoronamento.
Fonte:IG http://ultimosegundo.ig.com.br/
Quem quer morar no interior?
O Brasil tem 235 cidades médias. Serão muito mais. Elas têm emprego e melhor qualidade de vida

EM ALTA
O São Francisco separa Juazeiro, Bahia (à esq.), de Petrolina, Pernambuco (à dir.). Cidades como essas são as que mais crescem
No século XX, poucos países sofreram um processo de urbanização tão acelerado – e caótico – como o Brasil. Em 1940, o país era uma sociedade rural. Éramos 40 milhões. Sete em cada dez brasileiros moravam no campo. Bastaram duas gerações para a relação se inverter. Em 2000, cerca de 80% dos 170 milhões de brasileiros viviam em cidades. Desses, 70 milhões se concentravam em 22 regiões metropolitanas, com todas as consequências negativas que essa pressão demográfica acarreta: falta de moradia, acesso precário aos serviços de saúde, milhões de crianças fora da escola, saneamento básico quase inexistente, caos no trânsito, poluição, desemprego e violência. Juntem-se a esse caldo de cultura de insatisfação o advento das novas tecnologias e um mercado de trabalho mais competitivo, e se obtêm os ingredientes para explicar duas mudanças significativas no fluxo de pessoas no país.
A primeira mudança envolve a classe média. O inchaço urbano fez surgir nela o sonho de conseguir um emprego longe das capitais. O destino são as cidades de 100 mil a 500 mil habitantes – capazes de aliar bons empregos com qualidade de vida. O movimento começou em São Paulo, nos anos 1990. “Em Campinas e Santos vêm sendo lançados condomínios de luxo para o público de alta renda de São Paulo”, diz Alberto Eichman Jakob, do Núcleo de Estudos de População da Unicamp.
Em 2008, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou a fuga das capitais como um fenômeno nacional. Entre 2000 e 2007, as cidades médias do Sudeste, do Centro-Oeste e do Norte cresceram mais que as pequenas (com menos de 100 mil habitantes) e as grandes (mais de 500 mil). Quando a economia de uma cidade cresce, ela atrai quem procura melhores trabalhos, e sua população aumenta. “O principal crescimento populacional acontece hoje nas cidades médias, em todas as regiões do país”, diz o sociólogo Demétrio Magnoli, doutor em geografia humana. “O grande atrator não é mais a metrópole. Tanto as capitais quanto as cidades pequenas estão perdendo gente para as médias.”
A segunda mudança na demografia é o fim do fluxo de nordestinos para o Sudeste. As razões são a falta de oportunidades de trabalho para a mão de obra menos qualificada e o elevado custo de vida. Os antigos migrantes começam a fazer o caminho de volta. “A ideia entre os nordestinos era que bastava ir para o sul e conseguir trabalho ou um bico qualquer”, diz Jakob, da Unicamp. “Hoje, nem o bico existe mais.”
O aumento do salário mínimo e das aposentadorias, somado a programas de transferência de renda como o Bolsa Família, fez milhões de nordestinos que não tinham renda começar a consumir. Desde 2000 a economia nordestina cresce acima da média nacional.
Quem mais cresce, também no Nordeste, são as cidades médias. É o caso de Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco, duas das 235 cidades médias do país. Juazeiro e Petrolina ficam no sertão, uma diante da outra, às margens do São Francisco. Juntas, formam um mercado de meio milhão de consumidores. O futuro do Brasil passa por lá.

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Em 2008, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou a fuga das capitais como um fenômeno nacional. Entre 2000 e 2007, as cidades médias do Sudeste, do Centro-Oeste e do Norte cresceram mais que as pequenas (com menos de 100 mil habitantes) e as grandes (mais de 500 mil). Quando a economia de uma cidade cresce, ela atrai quem procura melhores trabalhos, e sua população aumenta. “O principal crescimento populacional acontece hoje nas cidades médias, em todas as regiões do país”, diz o sociólogo Demétrio Magnoli, doutor em geografia humana. “O grande atrator não é mais a metrópole. Tanto as capitais quanto as cidades pequenas estão perdendo gente para as médias.”
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