Os barranqueiros do rio São Francisco têm voz altiva e têm esse espaço para expressar seus sentimentos, lamentos, projetos e reivindicações. Aqui aceita-se notícias, fotos, críticas, poesias, músicas, vídeos e tudo mais que possa fazer a voz do beiradeiro ecoar pelos rincões do planeta.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
MINISTÉRIO SUSPENDE LICITAÇÃO DE LOTE MAIS CARO DAS OBRAS DE TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO
O Ministério da Integração Nacional suspendeu nesta quarta-feira (25) a licitação do lote mais caro das obras de transposição do Rio São Francisco. A pasta considerava a realização desta concorrência pública uma das medidas para acelerar o ritmo das obras ao longo deste ano. Em dezembro, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que o empreendimento está atrasado em diversos trechos e que uma parte do trabalho realizado já começa a se perder. No final do ano passado, a pasta informou que licitações não programadas seriam feitas, no valor total de R$ 1,2 bilhão. Publicada no Diário Oficial da União, a suspensão do edital aconteceu porque um item relativo aos atestados de capacidade técnica das empresas concorrentes foi impugnado. O Ministério da Integração emitiu nota na qual trata a decisão como temporária. Informações do Estado de S. Paulo.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
MARCELINO GALO QUER INTERVENÇÃO DA CHESF NA REVITALIZAÇÃO DA PESCA E AQUICULTURA DO LAGO DE SOBRADINHO
O impacto ambiental produzido durante a construção da represa de Sobradinho, no Médio São Francisco, foi debatido na última quinta-feira (18) entre o deputado estadual Marcelino Galo (PT) e a diretoria da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). A audiência aconteceu na sede da empresa, em Sobradinho, e foi acompanhada por representantes do Ministério da Pesca e Aquicultura de Brasília (MPA) e da unidade da Bahia Pesca, além de pescadores e piscicultores da região.
A criação de uma estação de piscicultura para o repovoamento de espécies na cidade foi uma das alternativas apresentadas pelos representantes do setor para incrementar a produção de pescado no município, além de ser uma medida sugerida na época pela Chesf como forma compensatória para a construção da barragem. Para o parlamentar petista, a estação “vai permitir uma fonte de renda para quem vive da atividade e ajuda a desenvolver o setor, na medida que contribui para aumentar o estoque pesqueiro na região”.
Outro ponto debatido foi a questão da licença ambiental, instrumento da Política Nacional de Meio Ambiente, que permite os produtores exercerem a atividade de forma regular, uma vez que os tanques redes instalados no lago de Sobradinho encontram-se em área da Chesf e aguardam regularização por parte do órgão ambiental licenciador.
Nova reunião e participantes
Na próxima sexta-feira (27), uma nova reunião técnica de aprofundamento irá discutir e elaborar um relatório que indicará a necessidade de viabilização do projeto de criação da estação de piscicultura para a região, além de debater a possibilidade de construção de um convênio com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para tratar a questão da fiscalização da pesca no entorno do lago.
Participaram da reunião representantes do Comitê Gestor da Pesca e Aquicultura do Território do São Francisco, Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Sema), Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), Universidade do Vale do São Francisco (Univasf), Embrapa, Sebrae e entidades representativas da pesca e aquicultura.
Keila Ramos Ascom do deputado Marcelino Galo
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
MINISTRO FERNANDO BEZERRA COELHO VAI HOJE (12/01) AO SENADO
Petrolina deverá voltar suas atenções para a TV Senado, hoje, a partir das 14h30, quando o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, falará à Comissão Representativa do Congresso Nacional. Os parlamentares vão se reunir para ouvir Fernando Bezerra que, antecipando-se à convocação pedida por parlamentares da oposição, encaminhou ofício anunciando sua disposição de comparecer espontaneamente para esclarecer denúncias divulgadas pela imprensa.
Fernando Bezerra é acusado de destinar 90% das verbas do orçamento da Integração Nacional destinadas à prevenção de desastres naturais para Pernambuco e de beneficiar seu filho, o deputado federal Fernando Coelho (PSB-PE), com o maior volume de liberação de emendas parlamentares do ministério no ano passado. Além destas denúncias, o ministro responde ainda a acusações de nepotismo, por manter na presidência da Codevasf, o irmão, Clementino Coelho e por suspeitas de irregularidade na compra de um terreno em Petrolina (PE) à época em que foi prefeito do município.
FONTE: BLOG DO GERALDO JOSÉ http://www.geraldojose.com.br/index.php?sessao=inicio&pagina=1
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
A IMPRENSA NACIONAL, FBC E PETROLINA
Por Francisco Evangelista
O petrolinense Fernando Bezerra Coelho é a bola da vez da imprensa nacional para tentar desestabilizar o governo Dilma Rousseff, e ao mesmo tempo também respingar no Governador Eduardo Campos (PSB/PE). O jogo político é um verdadeiro quebra-cabeça e existe muita coisa que nós pobres mortais nem sonhamos que aconteça.
O jeito próprio de fazer política de FBC, seu estilo, suas estratégias, sua facilidade de discursar e encantar, sua inteligencia, enfim suas virtudes e defeitos nós petrolinenses conhecemos muito bem. Da mesma forma sabemos o poder da mídia, tanta escrita, como falada ou televisada, tanto local, como regional ou nacional. Não há limites, não há regras e nem escrúpulo para ela. Também tem suas virtudes e defeitos.
Ainda antes de tomar posse Bezerra Coelho foi chamado de provinciano até por políticos aliados e também me lembro que por aqui todos comemorávamos o feito, pois assim Petrolina poderia ser beneficiada. Agora é dito que aconteceu exatamente isso, e pelo que a mídia coloca FBC implantou a máxima de "farinha pouca, meu pirão primeiro", e se isso é verdade Fernando demonstra ser pequeno para o cargo, mas se isso não tem fundamento ele sai ainda com mais moral. Esperemos a dança dos números, das palavras, e das decisões principalmente de Dilma.
Sejamos nós seus aliados ou adversários, termos um conterrâneo no Ministério é importante pra gente, mas também é importante que esse nosso representante nos honre e nos orgulhe. Torçamos por ele.
Nesse contexto há uma eleição municipal na qual, é claro, FBC tem interesse, inclusive por seu filho Fernandinho ser um virtual candidato. Até que ponto tudo isso interferirá na eleição de outubro só o tempo dirá, e neste cenário estão pelo menos o prefeito Júlio Lóssio e o Deputado Estadual Odacy Amorim que a principio, nenhum dos dois, conta com apoio de FBC.
Que estejamos atentos a cada desdobramento, e como eleitores que somos, saibamos fazer o julgamento adequado sobre estes cenários, e que tenhamos a sabedoria de colocar cada um no seu devido lugar, saibamos ajudar nossa Petrolina.
Ministro da Integração é acusado de comprar terreno duas vezes
O ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional) utilizou recursos públicos para comprar um mesmo terreno duas vezes, quando era prefeito de Petrolina (PE), informa reportagem de Catia Seabra e Felipe Seligman, publicada na Folha desta segunda-feira.
Oposição pede explicações de ministro sobre privilégio a filho
Filho de ministro é campeão de emendas na pasta do pai
A primeira compra ocorreu no final de seu primeiro mandato, em 1996, por R$ 90 mil. Na segunda, já em 2001, durante seu segundo mandato, pagou R$ 110 mil.
Nas duas vezes, o dinheiro beneficiou o mesmo empresário, José Brandão Ramos, sob a mesma justificativa: transformar a área em um aterro sanitário.
OUTRO LADO
O ministro admitiu, por intermédio de sua assessoria, que o terreno foi comprado duas vezes pela Prefeitura de Petrolina (PE), mas afirmou que foi induzido a erro pela gestão do prefeito Guilherme Coelho, seu primo, que o sucedeu em 1997.
sábado, 7 de janeiro de 2012
'Esporteduto' montado por PC do B controla postos e verbas do ministério
O mapa de repasses do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, revela que o ministro Orlando Silva alimentou com verbas federais a rede de militantes que, nos últimos anos, o PC do B instalou em postos-chave do nicho esportivo no setor público. Nos últimos dois anos, prefeituras e secretarias municipais de Esporte controladas pelo partido estiveram entre as maiores beneficiadas por recursos do Segundo Tempo, criado para promover atividades físicas entre estudantes.
A presença de comunistas nas duas pontas do 'esporteduto' não é casual: mesmo antes de fincar bandeira na Esplanada dos Ministérios, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, o partido havia estabelecido como estratégia concentrar no setor esportivo praticamente todas as reivindicações de cargos nas esferas federal, estadual e municipal.
Entre as prefeituras, de janeiro a outubro de 2011, a que recebeu o maior repasse per capita do Segundo Tempo foi a de Sobral (CE), cidade em que o coordenador do programa é um ex-candidato a vereador e dirigente municipal do PC do B. Foi quase R$ 1,5 milhão para uma população de cerca de 188 mil moradores, segundo levantamento do Contas Abertas, entidade especializada na análise de contas públicas.
Militantes do PC do B também administram os recursos liberados pelo ministério em Goiânia (R$ 2,2 milhões) e Fortaleza (R$ 980 mil), duas capitais nas quais o partido conseguiu nomear os secretários de Esporte por causa de acordos com o PT, que governa as duas cidades. Na capital cearense, o secretário é suplente de vereador e professor de história; em Goiânia, advogado e dirigente partidário.
Em números absolutos, Belo Horizonte é a líder no ranking das verbas deste ano, com R$ 2,6 milhões. Lá, o PC do B só não ocupa ainda a Secretaria de Esportes porque sua criação está pendente de aprovação pela Câmara. O partido já acertou a adesão ao governo do prefeito Márcio Lacerda (PSB), além do apoio à sua reeleição.
No ano passado, Sobral também esteve na lista das maiores beneficiadas pelo Segundo Tempo - recebeu o terceiro maior repasse. Em sexto lugar apareceu o município goiano de Anápolis, administrado pelo PT, onde a diretora financeira da Secretaria de Esportes é a presidente municipal do PC do B. E, no décimo posto, estava a cidade de Juazeiro, na Bahia, cujo prefeito também é comunista.
O Estado apurou que lideranças de partidos da base governista chegaram a levar ao ministro reclamações de prefeitos paulistas que não conseguiam contratar o Segundo Tempo. Eles alegavam que, para fechar os contratos, teriam de contratar a ONG Bola Pra Frente, da ex-jogadora de basquete Karina Rodrigues. O ministro teria relativizado as reclamações.
Em Manaus, que recebeu a maior liberação de verbas de 2009, o secretário de Esporte, Fabrício Silva Lima, disse que o primeiro convênio da cidade foi fechado ainda na época em que o PC do B chefiava a pasta, no governo de Serafim Correa (PSB). Os recursos, cerca de R$ 4 milhões, foram liberados na gestão seguinte, do prefeito Amazonino Mendes (PDT). 'Fomos muito bem tratados pelo ministério', disse o atual secretário. 'Eles só sugeriram a contratação de ONG para ajudar. Mas foi uma sugestão, não imposição. Nem deram nomes.'
Capilaridade. A ocupação do nicho esportivo pelo PC do B teve início no governo de Marta Suplicy na Prefeitura de São Paulo. Tudo começou com a indicação de Nádia Campeão, hoje presidente do PC do B paulista, para a pasta do Esporte, em 2001.
A partir de 2003, quando o partido recebeu o Ministério do Esporte, replicou a experiência em outros locais - primeiro com o ministro Agnelo Queiroz e depois com Orlando Silva. A cúpula da legenda chegou a estimar mais de 200 secretarias sob seu controle em prefeituras e governos estaduais como os de Amazonas, Rio Grande do Sul, Amapá, Bahia, Rondônia e Paraíba.
No início, a lógica do sistema era: onde o PT tivesse candidato a prefeito ou governador, receberia o apoio do PC do B. Em troca, a legenda indicaria nomes para a administração, de preferência na área de esporte, usando como argumento o fato de que o contato com a cúpula do ministério ajudaria a trazer verbas federais. O próprio ministro participou de conversas para indicar comunistas a gestões aliadas.
Foi assim, por exemplo, na Secretaria de Esporte, Lazer e Recreação de Guarulhos (SP). O PC do B apoiou a reeleição do petista Elói Pietá em 2004. Indicou então Julio Filgueira para a Secretaria de Esporte - ele já havia sido sucessor de Nádia Campeão na secretaria paulistana. Em 2007, Filgueira foi chamado por Orlando Silva para a Secretaria Nacional de Esporte Educacional. O sucessor, Alberto Saraiva, também do PC do B, teve o apoio do ministro.
Também em Guarulhos, um militante do PC do B, José Cláudio Neris, foi condenado, em primeira instância, pela Justiça Federal e pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a ressarcir os cofres públicos em meio milhão de reais. Alegando parceria com a prefeitura, ele obteve em 2004 R$ 676 mil do Ministério do Esporte para implementar o projeto Segundo Tempo na cidade, usando a estrutura da Liga Regional de Futebol Amador de Guarulhos, da qual era presidente.
ESTADÃO
Integração privilegiou município onde filho do ministro será candidato
BRASÍLIA - De um total de 60 mil cisternas de plástico compradas pelo Ministério da Integração Nacional para distribuição junto a famílias carentes, mais de um terço foram destinadas a Petrolina, município onde Fernando Filho, filho do ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), será candidato a prefeito.
Conforme notícia publicada na sexta-feira, 6, no jornal Correio Braziliense, teria havido favorecimento à empresa fornecedora e privilégio à cidade na distribuição das cisternas, duas vezes mais caras que o modelo tradicional, de alvenaria.
O edital do pregão para compra das cisternas, orçada em R$ 210,6 milhões, foi assinado por Clementino Coelho, em outubro de 2011, na condição de presidente em exercício da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco (Codevasf). Clementino é irmão de Fernando Bezerra. Este foi três vezes prefeito de Petrolina e, na prática, é chefe do irmão.
Os equipamentos integram o Plano Brasil sem Miséria. O cadastro único registrou 738,8 mil famílias carentes em oito estados do Nordeste e em Minas Gerais. Do total encomendado, 22.799 unidades (38%) serão entregues em Petrolina, que sedia uma unidade da Codevasf. Por meio de nota, o Ministério explicou que a opção de fazer a entrega nesta cidade é da empresa fornecedora, uma multinacional com sede em Valinhos, São Paulo, por questão de logística de distribuição.
De lá, conforme o ministério, as unidades serão redistribuídas para os municípios vizinhos. Recordista em demandas por cisternas (224,9 mil), a Bahia foi contemplada com apenas 11 mil unidades, enquanto o Ceará, segundo colocado no cadastro de famílias carentes (185,9 mil), não foi sequer incluído no calendário de distribuições. As demais unidades foram destinadas a Penedo (AL), Montes Claros (MG), Teresina (PI), onde também funcionam sedes regionais da Codevasf.
Ainda conforme a nota, o edital foi aprovado pela Controladoria-Geral da União (CGU) e a opção pelo modelo de polietileno deve-se à maior economicidade. Uma cisterna tradicional leva sete dias para ser montada e tem durabilidade de 12 anos. A de plástico, adotada em países como Austrália, Índia e China, é montada em apenas três horas e tem durabilidade de 35 anos.
O ministro é hoje o principal representante do clã, que domina há mais de cinco décadas a cena política na cidade do sertão pernambucano. Ele é sobrinho do ex-governador Nilo Coelho e neto do cacique político Clementino Coelho, o Coronel Quelé. Foi deputado federal duas vezes, deputado estadual e prefeito de Petrolina três vezes.
Volátil, Coelho mudou de partido seis vezes, passando por PDS, PFL, DEM, PMDB e PPS até cair no colo do PSB por pragmatismo, com as bênçãos de Eduardo Campos. Cacifado pela força política acumulada e pelo rio de dinheiro que mandou para a prevenção de enchentes no Estado, ele reforçou a hegemonia na região desde o governo anterior. Coelho tem oito irmãos, quatro filhos e mais de trinta sobrinhos, vários deles exercendo cargos públicos. ESTADÃO
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Das Barrancas às Carrancas
Edson Vidigal
Agora, há pouco, numa esquina próxima ao Mercado Central de Santiago, dei de cara com um Papai Noel pedindo esmolas.
Eu tinha acabado de sair, ainda meio inebriado, da casa de Neruda quando, mais adiante, um forte cheiro de camarão fresco me deu conta de que não me perdi.
Camarão fresco aqui, no caso, não tem nada ver com ácido úrico. É que esse Papai Noel mendigo me faz lembrar a Rua de Nazaré, por onde hoje não passa quase ninguém.
A Rua de Nazaré, que antes já foi também de Odylo, marido de Nazaré, está assim, impossível de se andar. Não por causa de um forte cheiro de camarão, mas de um insuportável odor de ácido úrico.
Houve um tempo em que a Rua de Nazaré com sua loja de disco era uma alegria só. E ainda tinha o ceguinho do piston, figura do ano inteiro.
Dezembro chegava e com ele, na mesma rua, um Papai Noel herniado balançando moedas em sua bacia tirada de queijo cuia.
O nosso Papai Noel da Rua de Nazaré, naquele tempo, não parecia triste como este que eu vi há pouco no Mercado Central de Santiago.
Ao contrário, até simulava orgulho, como se quisesse nos fazer inveja, quando ajeitava na perna da calça a sua hérnia indisfarçável.
Para ser Papai Noel em hoje em dia já se dispensam certas formalidades e caracterizações.
Para alguns nem é mais preciso o vermelho na roupa, nem mesmo a barba branca e farta encobrindo as bochecas. Há quem ache até que só um bigode pintado resolve.
Outros, mais conservadores que nem eu, não admitem ninguém encarnando o Papai Noel sem os trajes e as configurações completas, inclusive com aqueles trejeitos na voz, falando manso como um bom velhinho.
Se não for assim, não é Papai Noel. É carranca da Fonte do Ribeirao.
A mulher que se notabilizou como Ana das Carrancas era viúva quando viu na Feira de Picos, no Piaui, um cego pedindo esmolas. Não pensou duas vezes, levou o ceguinho para casa, depois se casaram e foram morar em Petrolina, em Pernanbuco.
Ana sabia que as carrancas são o melhor remédio para afugentarem os maus espiritos. As embarcações antigas as ostentavam nas proas e quanto mais feias, mais horrorosas, mais segurança passavam aos navegantes.
Qual diabo era tão doido de seguindo rio acima ou rio abaixo não se desviar das carrancas?
Ana ganhou dinheiro, educou os filhos, fazendo carrancas assustadoras e muito coloridas, vendendo-as não só para quem tinha medo de maus espiritos em viagens pelos rios, mas também para quem precisasse se prevenir dos maus fluidos dentro de casa.
Corre agora pelas estradas e leitos dos rios que o diabo anda assumindo forma de carranca, de modo que é preciso reinventar a feiura para que os fazedores de carrancas as façam mais feias, muito mais feias ainda.
As carrancas da Fonte do Ribeirão parecerão sósias de Marx ou, com algum esforço, do Marquês de Sade, se comparadas às que foram encomendadas em desafio ao diabo solto, que anda querendo mudar resultados de eleições.
Muita gente que tirou o diabo da garrafa e que agora anda querendo que ele fique solto não tem idéia do quanto pode se dar mal. Esquece, por exemplo, que a serpente, aquela que veio para vingar os vivos e os mortos, continua viva e está onde sempre esteve.
Ou seja, com a cabeça na Fonte do Ribeirão, a barriiga debaixo da Igreja do Carmo e a cauda debaixo da Igreja de São Pantaleão. Quanto mais aporrinham o Povo mais ela vai se mexendo devagar e, aos poucos, se estica e cresce.
E numa dessas, assim que a cauda encontre a cabeça, ela se contorcerá lentamente produzindo um terremoto, e aí, ó meu, nada de pedra sobre pedra.
A cidade será destruida, promete a lenda. E com a cidade, é claro, aquele palácio que uma menina, tipo chapeuzinho vermelho, pensa que é seu, que será sempre seu, que ela achou que Papai Noel iria lhe dar de presente neste Natal, mas não lho deu.
Agora, câmera de Glauber Rocha, close para Zé Lewgoy - "Das barrancas do Tocantins às carrancas do Ribeirão..." É o "Terra em Transe 2", amiga, amigo.
Acesse o meu blog - EdsonVidigal.com
Edson Vidigal, ex-presidente do STJ, professor de Direito na Ufma, escreve para o Jornal Pequeno às quintas-feiras.
FONTE: http://www.jornalpequeno.com.br/
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