domingo, 7 de fevereiro de 2010

Curaçá: Denúncias do vereador Valberto Matos

O vereador de Curaçá, Valberto Matos (PSDB), fez uma avaliação do quadro político municipal. Apontou as dificuldades enfrentadas pelo prefeito Salvador Lopes (PT), as dificuldades impostas pelo Governo Federal, o comportamento da oposição, e a catastrófica situação na área de segurança, com as polícias enfrentando inúmeras dificuldades para atender a população, que se encontra à mercê da bandidagem.

Polícia desamparada – “A situação de segurança em nosso município é a pior possível. A Polícia Militar desamparada, sem transporte. Os assaltos estão acontecendo constantemente, inclusive na BA 210, no trecho de Curaçá a Abaré. Barreiras são feitas na estrada, como se fosse a cobrança de pedágios. São inúmeros os carros e motos que são atacados pelos assaltantes. Há poucos dias chegou uma viatura nova para a Delegacia de Polícia, mas o carro não presta qualquer tipo de serviço para a comunidade, fica parado na porta servindo de enfeite. Quando sai para um estabelecimento no centro da cidade, retorna no mesmo momento. E outra coisa, não existe nenhum trabalho voltado para a questão de investigação. As coisas acontecem constantemente e ficam no esquecimento”.

Violência e assalto no interior – “No Distrito de Patamuté, local de divisa com o município de Uauá, tomaram de assalto uma camioneta D 10 de um senhor. Os ladrões andaram com o carro por quase todo o município, retornaram ao distrito e foram embora. A polícia foi comunicada e providências não foram tomadas”, informa.
Um outro fato lamentável é narrado pelo vereador. “No dia 17 de janeiro, durante a tarde, quatro indivíduos não identificados chegaram ao mesmo Distrito, dirigiram-se a um bar e logo em seguida a um restaurante, todos armados. Eles saíram do local direto para a estrada que dá acesso ao distrito de Barro Vermelho e ao município de Uauá para fazerem abordagens. Eles andavam em um veiculo Palio, quatro portas, cor metálica, placa de Petrolina, com número não identificado. Várias as pessoas foram abordadas, sendo que uma delas é um jovem chamado Edílson, de 25 anos de idade, que estava em uma moto. Ele tem problema mental, é aposentado, estava se dirigindo ao povoado, a pedido da mãe para comprar suprimentos para abastecer o comércio. No trecho se encontravam esse prováveis assaltantes que tomaram os R$ 90,00, cortaram de faca o banco da moto, os dois pneus e tomaram a chave. O coitado foi humilhado, chorou, urinou, deram muita porrada, meteram a faca em sua barriga que passou de relaspão (sic), mesmo assim perdeu bastante sangue”, denuncia. Valberto pede para que a Polícia Civil em Juazeiro ou a Secretaria Estadual de Segurança apurem o caso. “Algumas pessoas chegaram a comentar que aquelas pessoas eram policiais civis. Caso seja, eu não vejo como policiais, porque se forem estamos mal”, indigna-se.

Cadeia ultrapassada – No ano de 2009 houve mais uma fuga de presos na cadeia pública local. O imóvel possui apenas dois quartos e há mais de dezenas de anos não tem a mínima condição para funcionar. A justiça local, juntamente com as autoridades, solicitou providências urgentes do Governo Estadual, que até o momento, empurra o caso com a barriga, colocando em risco a vida das pessoas. “Recentemente houve uma audiência pública com representantes de vários segmentos e solicitei que fosse construído um presídio. O que se vê é fuga em massa. As condições dos presos são desumanas. Eles ficam amontoados em dois quartinhos. Na frente da delegacia, e em pleno centro da cidade, o que se vê são muitos carros batidos e abandonados, formando um ferro velho. Espero que o município tome providências”.

Estrutura da Polícia Militar – “Não adianta ter bons homens, se não tem estrutura para trabalhar. Há viaturas que não têm a mínima condição de funcionar. Se um cara for um bom ciclista, termina dando grandes dribles e as viaturas não alcançam”, compara. O vereador afirma que a prefeitura contribui com a segurança. “O município é quem está arcando com grande parte das despesas da polícia. A prefeitura locou carros com combustível e forneceu para a polícia trabalhar, inclusive no interior em parceria com a população, a exemplo de Riacho Seco e Pedra Branca”, informa.

Falência – “Hoje mais de 90% das prefeituras na Bahia estão falidas e ainda são obrigadas a passarem por essa humilhação em tentar manter o funcionamento do trabalho da polícia. Aqui em Curaçá as despesas giram em torno de R$ 14 mil por mês. Essa responsabilidade deveria ser do Governo do Estado”.

Governo federal e a falta de compromissos – “O Governo Lula deveria tratar com respeito todos os municípios do país. Em 2009 houve uma queda brusca do FPM. Em 2010 as perspectivas não são animadoras. Em janeiro se registra uma queda de 24,5%, forçando o gestor a tomar atitudes radicais, fazendo demissões e reduzindo ações na área social. Ele usou um meio irresponsável, quando isentou o IPI dos produtos industrializados, pois quem fabrica são os grandes. Enquanto isso, o pequeno vive enganado com a migalha que ele paga com a ‘bolsa família’, que não dá para suprir as necessidades. Quando uma dessas pessoas adoece, termina morrendo na porta do hospital. Eu não vejo esse tão propalado equilíbrio econômico, a exemplo das prefeituras. Lula é bom de propaganda, provavelmente quando sair do governo, uma dessas empresas o contrate, porque ele foi para a mídia pedir ao povo que compre geladeira, televisão, fogão e o miserável do ignorante, mesmo sem condições, comeu corda e se arrebentou em dívidas”.

Governo municipal – “Eu tenho feito críticas à administração municipal, mesmo sendo aliado. No início do governo cobrei ações referentes às condições de como estava recebendo a prefeitura. Hoje estamos vendo um município afundado, devido ao grande rombo encontrado. Eu sei que ele é maleável, não quer ferir pessoas mesmo sofrendo e hoje estamos vendo a situação. O jurídico deveria ser acionado no início, levar o caso para a justiça, fechar a prefeitura durante os três primeiros meses para que se fizesse uma auditoria com a participação da justiça. Hoje são muitas pessoas descontentes, a prefeitura está sendo obrigada a demitir”.

O vereador faz um comparativo do antes e depois com relação à questão financeira. “No início do governo
Aristóteles Loureiro, Salvador Lopes deixou em caixa R$ 1.117.000,00, uma poupança gorda e de restos a pagar deixou um valor de R$ 193 mil em cheques para pagar. O ex-gestor pegou uma prefeitura enxuta, com dinheiro em caixa e quatro anos depois devolveu totalmente depenada, falida, devastada e arrebentada”.

Proveito político – “O político ou o cidadão comum que age dessa forma, que torce para que aconteça o pior, eu não vejo que essa pessoa tenha a mínima condição de ser representante de um povo. Antes de tudo ele é um irresponsável. Caso eu fosse de oposição, a minha obrigação deveria ser a de ajudar, porque o que está em jogo é o desenvolvimento do município, a vida das pessoas. Eu classifico esse tipo de gente como os verdadeiros urubus, que ficam torcendo para o animal morrer para que ele possa se alimentar. Eles mentem muito. Como vereador, o meu comportamento está sendo igual ao da gestão anterior em fiscalizar e denunciar as coisas erradas. Eu observo, questiono, porque o meu objetivo é fiscalizar as ações de quem quer que seja, inclusive na aplicação dos recursos”, classifica. Valberto faz um comparativo. “Na gestão passada vi alguns companheiros acobertarem toda a malandragem. Nós da oposição questionávamos e eles ficavam calados, sendo coniventes. Hoje estão colocando as unhas de fora. Agora eu não sei qual a credibilidade que esse povo tem? Oposição tem que haver agora sem paixão e com responsabilidade”.

Atraso de salários – “Houve o atraso de salário de algumas pessoas, a exemplo dos comissionados. A informação de que tinha três meses não é verdade. Agora eu não concordo em atrasar salário, porque todo trabalhador tem seus compromissos. Mas tudo isso se deu devido à redução da receita, que pegou o gestor de ‘calça curta’. Ele levou uma grande punhalada. O valor do repasse do FPM girava em torno de R$ 900 mil a R$ 1,1 milhão por mês. Com a redução ficou em torno de R$ 700 mil. Uma redução de mais de R$ 300 mil para um município pequeno”, relata.

Governo do Estado – O vereador argumenta que não enxerga o Governo Wagner (PT), pela péssima situação de perigo e abandono da BA 210 e outros problemas existentes no município ao longo de vários anos. “O principal irresponsável é o ex-governador Paulo Souto. Para garantir a eleição no município do seu ex-aliado, Aristóteles Loureiro, o Tote, ele abriu uma licitação, colocou máquinas para trabalhar, que em poucos dias foram desviadas para fazer campanha política suja, com aberturas de barreiros e abastecimento de água através de carros-pipas. Ele recuperou a estrada com um arremedo. Na primeira chuva se deteriorou igual a sonrisal. Hoje, com relação ao município, só existem projetos e mais nada. Espero que saia alguma coisa, tipo a usina para o beneficiamento de leite que foi prometida”, conclui.

FONTE: Jornal Ação Popular http://www.acaopopular.net

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