Manoel Leão / /DOL
“Acampados” desde a última segunda feira, 15 em Sobradinho integrantes do Movimento dos Atingidos pelas Barragens realizaram hoje pela manhã uma manifestação que percorreu as ruas da cidade e foi até a sede da CHESF, protestando contra a política de implantação de barragens levada a cabo pelo governo Lula.
Com palavras de ordem como “Água e energia não é mercadoria”; “Barragem é exploração, organizados vamos dizer não”, os manifestantes demonstraram sua insatisfação com a política de construção de barragens.
Para os coordenadores do movimento a construção de duas novas barragens no São Francisco, a de Riacho Seco e Pedra Branca, quando construídas, atingirão comunidades dos municípios de Curaçá, Abaré e Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, Santa Maria da Boa Vista, Lagoa Grande, Orocó e Cabrobó, em Pernambuco.
“Cerca de 20 mil pessoas poderão ser desalojadas de suas áreas com a construção das duas obras” – denuncia Nívea Diógenes, da coordenação do MAB na região, informando que em Riacho Seco, Curaçá, a Chesf vem realizando oficinas no intuito de convencer as comunidades sobre a importância das barragens e negociar as condições de saída das famílias das suas terras. Já o processo da hidrelétrica de Pedra Branca está suspenso devido ao processo de demarcação do território indígena Tumbalalá.
Para hoje, depois da manifestação eram esperados representantes de diversos órgõs governamentais, que irão debater a pauta de reivindicações dos atingidos, entre eles o Incra, Chesf, Codevasf, prefeituras, vereadores, além de movimentos sociais como MST, MPA e CPT.
A mobilização em Sobradinho faz parte da jornada do Dia Internacional de Luta contra as Barragens, comemorado no dia 14 de março e no acampamento de Sobradinho estão representantes dos atingidos pelas barragens de Sobradinho, Itaparica, Riacho Seco e Pedra Branca.
“Desde o final dos anos 70, com a construção da Barragem de Sobradinho, quando mais de 70 mil pessoas foram relocadas de suas terras, diversas organizações sociais e movimentos populares foram criados para defender os interesses das comunidades. Depois de 30 anos, muitas famílias ainda não tiveram os seus direitos garantidos, como água, saúde, infraestrutura de estradas, entre outras reivindicações, por isso somos contra mais barragens nesse rio”, completa Nívea Diógenes.
Objetivos do acampamento
Os objetivos do acampamento são a articulação dos atingidos das diversas comunidades e municípios, o diálogo conjunto sobre os grandes projetos de investimento do capital e suas consequências na região e o debate do modelo energético brasileiro e a sua implicância nas questões sociais e ambientais.
Durante a atividade, pretende-se intensificar o debate com as populações atingidas sobre os grandes projetos, com foco na Transposição do Rio São Francisco e nas barragens. Na oportunidade, será viabilizado também o intercâmbio entre os atingidos, no sentido de construir uma pauta conjunta de reivindicação dessas comunidades.
O acampamento em Sobradinho segue até o dia 18.
FONTE: www.diariodaregiaoonline.com.br
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