De Sucupira a Paris (e o nosso carnaval, hein?)
domingo, 31 de janeiro de 2010
*Paulo Carvalho (SPO)
Um violão no colo do M, que idéia fantástica!
Misael agora vai virar artista. E ao contrário do que as más línguas de Juazeiro pensam, de acordo com o projeto da “Caco de Telha”, empresa da cantora juazeirense Ivete Sangalo, representada pelo seu irmão, o polêmico e exuberante “M” da Orla I não será dinamitado, mas sim valorizado como base para o nosso maior troféu: O VIOLÃO.
Após o anúncio da mudança de data do carnaval, que inclusive, continua fora de época, deixando de ser pré para ser pós o período oficial, ouvi pessoas, ou melhor, partidários, que, em nome de vaidades políticas, elogiavam a iniciativa porque erroneamente acreditavam que o “M” da Orla sairia dali, como se detonado por uma bomba! Agora o que não dá para entender é como a gestão pública prefere ignorar a vontade da população para satisfazer as vontades de sua rainha, que além do axé e do carnaval baiano, agora é a rainha de nossas vontades também. E o governo ainda afirma que trabalha em sintonia com a população. Afinal, que sintonia é essa?
É lamentável que ainda existam nesta cidade defensores do caos, que se alegram, se deliciam com a desgraça administrativa de um ex-gestor, quando não são simpatizantes do mesmo. É por isso que Juazeiro se esfacela no atraso, porque enquanto uns planejam a cidade para o futuro, com visão empreendedora, para uma transformação cultural que nos encha de orgulho, outros se aproveitam da titularidade do projeto, para atropelar os seus verdadeiros fins, dando sugestões de cunho perseguidor, fascista e puramente eleitoreiro.
Baseado nesse episódio, do não entendimento do projeto inicial, é que fiz questão de abrir esta crônica, festejando Juazeiro como a “Cidade do Violão”, e não como a cidade dos “terroristas” sem ética partidária e sem projeto, porque só entendem uma língua: a da exclusão social e política de seus adversários.
No nosso entendimento, todos os ex-gestores do município deram sua contribuição para o desenvolvimento sócio-econômico do povo e da cidade, e até o atual que está se esforçando para mostrar que verdadeiramente representa a mudança. Qualquer outro entendimento é paixão política, é servidão, é sem propósito, porque o povo é o “senhor dos mandatos”, e esse povo, sábio, entende melhor a política de sua cidade, quando o “sapato aperta”. Então, de Sucupira a Paris, e a cidade respira extasiada, com projetos megalômanos, de porte internacional, com se fosse a “Cidade Luz”, noites parisienses no Sertão do São Francisco, e a idéia de um “Stradivárius do Sertão”, e ainda com uma matéria-prima chamada: árvore do juazeiro.
Que idéia fantástica! Um violão no colo do M. Será que Misael vai virar mesmo artista? Bem, mas o que importa mesmo é que a empresa de Ivete Sangalo trouxe novos ventos para Juazeiro, mesmo querendo ressuscitar um velho morto que conhecemos; que virou a cara para a cidade, sem ao menos conhecer os seus discípulos do terceiro milênio. Olha, não é pessimismo não, mas eu gostaria de estar vivo para presenciar esse momento. Ver o “papa” da bossa nova de pertinho e ainda descolar um autógrafo, seria a glória. Mas, como repetem os pensadores do povo: “enquanto há vida, há esperança”.
E que Juazeiro continue tocando violão: no colo, nos braços, na alma e no coração desse povo que não se cansa de sonhar, nem de esperar pela mudança.
FONTE: A NOTÍCIA DO VALE http://www.anoticiadovale.com
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