sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ibama considera ilegal a pesca do cari na piracema

Juazeiro: Pescadores desrespeitam época da piracema e comercializam pescado no Angary

Diario da Região / Iana Lima

A gerencia regional do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais – IBAMA/BA, realizou ontem uma operação de fiscalização no Rio São Francisco após constatar a pesca predatória, com o objetivo de comercialização na época da piracema, que iniciou no país no dia 1º de novembro (2009) e se estende até o dia 28 de fevereiro de 2010. O fenômeno é
conhecido como período de reprodução dos peixes. A comercialização do cari na orla de Juazeiro, no bairro Angary, chamou a atenção do órgão que constatou a pesca indiscriminada.

Em contato por telefone com o diretor regional do Ibama, Djalma da Nóbrega, foi confirmada a informação de que a pesca em larga escala é proibida nessa época do ano, independente da espécie de peixe. “A pesca não é permitida na época da Piracema. A exceção se refere aos pescadores regularizados que tem permissão na pesca com anzol e linha, e cada pescador só pode pescar 5k mais um exemplar. A pesca não pode ser realizada nem com tarrafa, nem com rede”, informou o representante do órgão completando que fiscais estiveram no Angary e verificaram a grande quantidade de cari que estava sendo tratado e comercializado.


Colônia

O presidente da Colônia de Pescadores, Domingos Márcio Matos disse que a entidade não concorda com essa pesca. “Não concordamos porque na época da piracema a pesca em grande quantidade é proibida e não existe portaria abrindo exceção para o cari”, informou. Segundo Domingos, cada pescador cadastrado recebe um salário mínimo na época da piracema, que dura 4 meses.

Segundo o presidente da colônia são 1.300 pescadores cadastrados e uma média de 300 que não estão regularizados porque exercem outras atividades além da pesca. “È difícil viver da pesca nessa área do rio, pois ficamos entre duas barragens, o que nos prejudica. Agora ainda estão para construir a terceira em Curaçá”, lamentou, explicando que os pescadores estão apenas tentando trabalhar e complementar sua renda. “São pais de família que querem ter seu sustento”, reforçou.
A colônia fundada em 1992 abrange os municípios de Curaçá, Petrolina e a comunidade de Lagoa no Salitre.


Mutirão educativo

Um mutirão educativo realizado ontem (14) pro várias secretarias da prefeitura de Juazeiro prestou esclarecimentos e orientou pescadores e comerciantes sobre a importância da limpeza no local onde são tratados os peixes.

Durante a ação, educadores de saúde e fiscais ambientais orientaram os comerciantes e pescadores sobre os procedimentos corretos para o tratamento dos pescados e a destinação adequada para as vísceras desses animais. Além do trabalho de conscientização dos pescadores e moradores do bairro, funcionários da SEIHASP distribuíram tonéis em áreas estratégicas para o depósito e coleta do lixo acumulado.

Para o comerciante de peixes Genival, a ação é de grande importância para a população do bairro, pescadores e comerciantes. “Nós realizamos esse trabalho uma vez por ano, sempre na época de produção. Compramos os peixes diretamente dos pescadores e os tratamos nas margens do rio, sei que o cheiro é insuportável, mas agora através da coleta realizada pela prefeitura tudo irá melhorar. É de fundamental importância manter o ambiente limpo e preservado”, reconheceu o comerciante.




Piracema


Nesse período, a pesca fica limitada pela Lei n° 7.679, de 23 de novembro de 1988, a "lei da piracema". A multa para quem desrespeitar o período de defeso pode variar de R$ 500 a R$ 13 mil, conforme a infração. Quem for flagrado poderá ainda ser detido por até três anos, dependendo do prejuízo causado ao meio ambiente, e ter todo o material de pesca apreendido.


Fonte:

Diário da Região Online

http://www.diariodaregiaoonline.com.br/
Na beira do rio os peixes estão
sendo tratados e comercializados
Foto: José Tavares

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